Muito Além dos Likes: quando experiências valem mais do que seguidores
- galeriaanapirolo
- 15 de jun.
- 3 min de leitura
Recentemente, maratonei a série Emily in Paris, Na Netflix. Confesso que comecei a assistir sem grandes expectativas, interessada mais nos cenários, nos figurinos e no entretenimento do que propriamente no marketing apresentado na trama. Mas, à medida que os episódios avançavam, comecei a prestar atenção em algo que me chamou a atenção: a forma como as marcas são construídas.
Na série, vemos campanhas publicitárias, eventos, festas exclusivas, parcerias estratégicas e ações cuidadosamente pensadas para gerar repercussão nas redes sociais. O objetivo parece claro: fazer com que as pessoas falem sobre a marca, compartilhem experiências e ampliem o alcance da mensagem.
O curioso é que muitas dessas ações são criadas para produtos de luxo. Produtos que a maioria das pessoas talvez nunca venha a consumir. Ainda assim, milhões de pessoas interagem com essas marcas todos os dias. Compartilham fotos, comentam lançamentos, acompanham influenciadores e ajudam a manter vivo o desejo em torno delas.
Foi então que comecei a refletir sobre o mundo em que vivemos hoje.
Vivemos na economia da atenção. Disputamos segundos de interesse em uma linha do tempo que nunca para de se mover. As redes sociais transformaram visibilidade em moeda. Quanto mais curtidas, comentários e compartilhamentos, maior a sensação de sucesso.
Mas será que atenção é a mesma coisa que conexão?
Essa pergunta ficou ecoando na minha cabeça.
Ao observar meu próprio trabalho, percebi que nunca estive realmente interessada apenas em vender um livro, uma ilustração ou um produto. O que sempre me encantou foi a experiência que existe ao redor deles.
Um livro pode ser apenas um objeto. Mas também pode ser uma companhia em um momento difícil, uma lembrança da infância ou uma conversa silenciosa entre autor e leitor.
Uma carta pode ser apenas papel. Ou pode ser a surpresa que transforma um dia comum em algo especial.

Uma obra de arte pode ser apenas uma imagem. Ou pode despertar memórias, afetos e histórias que estavam adormecidas.
Talvez seja por isso que eu me identifique mais com a ideia de construir uma comunidade do que de acumular seguidores.
Não me interessa alcançar milhares de pessoas que passam rapidamente pelo meu trabalho sem deixar rastros. Interessa-me criar algo que faça algumas pessoas permanecerem.
Pessoas que aguardam uma nova carta do Mail Club.
Pessoas que colecionam livros.
Pessoas que acompanham projetos, participam de eventos e voltam porque encontraram significado na experiência.
Ao final da série, percebi que minha principal reflexão não era sobre marketing.
Era sobre pertencimento.
As marcas que permanecem não são necessariamente as que falam mais alto. São aquelas que conseguem fazer parte da história das pessoas.
Talvez seja por isso que gosto tanto da ideia de colecionar livros, cartas e obras de arte. Cada peça guarda uma memória. Cada encontro deixa uma marca.
E talvez seja justamente aí que esteja o verdadeiro valor de uma marca nos dias de hoje: não na quantidade de seguidores que ela possui, mas na qualidade das experiências que ela é capaz de criar.
Porque, no final das contas, algumas pessoas podem esquecer uma propaganda.
Mas raramente esquecem uma história que as tocou.
E você?
O que tem colecionado: seguidores ou experiências?
Se quiser continuar essa conversa, conhecer meus livros, projetos, correspondências e outras histórias que nasceram dessa mesma reflexão, convido você a visitar o Ateliê Ana Pirolo.
Talvez sua próxima descoberta esteja esperando por você.




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